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Serviço de Genética Médica

Informações sobre algumas doenças

Polineuropatia amiloidótica familiar

A polineuropatia amilóidótica familiar (PAF), mais conhecida por «doença dos pézinhos» ou paramiloidose, foi descrita pela primeira vez pelo Professor Corino de Andrade, em 1952, em doentes da região da Póvoa de Varzim.

Incidência, Etiologia e Diagnóstico

A polineuropatia amiloidótica familiar tem como causa a presença de uma mutação no gene da transtiretina. Todos nós temos duas cópias deste gene, uma em cada um dos nossos dois cromossomas 18 (em 18q11.2-12.1) – um dos quais recebemos do nosso pai e o outro da nossa mãe. A presença de duas cópias normais protege-nos da doença mas no caso de uma das duas ter uma alteração (a substituição de um G por um A) a proteína produzida tem um aminoácido diferente na posição 30 (uma metionina no lugar de uma valina). Neste caso a doença surge habitualmente entre os 20 e os 40 anos, ocasionalmente mais tarde ou muito mais tarde.

Conhecem-se alguns doentes que tinham duas cópias do gene com a alteração referida (nesta situação uma mutação foi transmitida pela mãe e a outra pelo pai). A doença não parece surgir mais cedo ou evoluir mais depressa nestes casos.

Hoje em dia é possível proceder ao diagnóstico pré-sintomático desta situação em adultos com familiares afectados pela doença – excluir a presença da mutação tendo a certeza de que a doença nunca se manifestará nem foi ou será transmitida a descendentes ou confirmar a presença da mutação, caso em que permanece desconhecida a idade de início da doença ou a forma como irá evoluir e em que se sabe que cada um dos filhos terá uma probabilidade de 50% de receber a mutação.

Esta possibilidade pressupõe uma ampla informação a anteceder o consentimento do indivíduo. Tem que ser realizada no âmbito de serviços de genética médica e obriga à realização de três consultas de aconselhamento genético e a uma avaliação psicológica e social até à comunicação do resultado e a três consultas de psicologia no ano subsequente. A opção de realizar ou não o diagnóstico pré-sintomático e de quando o fazer é uma decisão individual. Os resultados são comunicados oralmente e por escrito exclusivamente ao próprio.

Evolução

A amiloidose é uma doença multissitémica, que resulta da deposição da proteína anómala no espaço extra-celular de tecidos e órgãos em consequência da presença da mutação. Os primeiros sintomas aparecem habitualmente entre as 3ª e 4ª décadas de vida, contudo podem surgir antes ou mais tarde. Caracteristicamente iniciam-se nas extremidades dos membros inferiores progredindo depois de uma forma ascendente, com diminuição da sensibilidade e com o aparecimento de uma sensação de dormência. Também podem ocorrer alterações dos hábitos intestinais (períodos de obstipação alternando com diarreia), náuseas, vómitos, hipotensão ortostática e retenção ou incontinência urinária. Em fases mais tardias da doença, pode ocorrer insuficiência renal, cardíaca e alterações oculares.

Tratamento e Prevenção das Complicações

Ainda não existe um tratamento etiológico para a polineuropatia amiloidótica familiar. A única forma efectiva de travar a progressão da doença é o transplante hepático que foi iniciado em Portugal em 1990. O transplante deve ser realizado antes dos 50 anos de idade; início da doença há menos de 5 anos; sintomas localizados aos membros inferiores ou apenas alterações dos hábitos intestinais; ausência de sinais e sintomas de insuficiência renal ou cardíaca. A taxa de sobrevida aos 5 anos após transplante hepático é de 80%.

Aconselhamento Genético

A PAF é uma doença autossómica dominante. Habitualmente, num indivíduo afectado ocorre a presença de uma cópia normal e de uma cópia alterada (mutação). A cada um dos filhos o indivíduo em causa transmite um dos genes (a cópia normal ou a mutação). O outro gene do indivíduo ser-lhe-á transmitido pelo outro elemento do casal. Independentemente da mutação estar presente no homem ou na mulher, da doença já se ter ou não manifestado (até mesmo no caso do doente já ter sido submetido a transplante hepático), de se tratar de um primeiro ou segundo filho, rapaz ou rapariga, a probabilidade de transmitir o gene normal é de 50% e a probabilidade de transmitir a mutação também é de 50%.

A prevenção da transmissão da doença permite aos casais em risco de terem filhos com a mutação o nascimento de crianças que se sabe terem dois genes normais (e por isso nunca terão a doença nem a transmitirão a futuros descendentes). Uma possibilidade é proceder ao diagnóstico pré-natal (o estudo genético do feto com interrupção da gravidez no caso de se confirmar a presença da mutação). Outra é o diagnóstico pré-implantatório. Neste caso procede-se à administração de medicamentos e a uma vigilância da mulher, à colheita no laboratório das células da linha reprodutiva dos dois elementos do casal, à fertilização in vitro (conhecida como a técnica dos «bebés proveta») e ao teste dos embriões. Só são transferidos os embriões sem a mutação mas a mulher só fica grávida em cerca de 20% dos casos. Outra alternativa é a doação de gâmetas (neste caso as células não têm origem no elemento do casal com a mutação pelo que o filho não receberá dele nenhuma informação genética). Cada casal é livre de escolher a opção que considera mais adequada, dentro das possibilidades técnicas e da legislação em vigor: não ter filhos, adoptar uma criança, desejar uma gravidez com ou sem recurso às técnicas mencionadas.

Para mais informações sobre a Polineuropatia Amiloidótica Familiar podem consultar o seguinte site na internet:

www.ucv.mct.pt/healthXXI/pedroV
www.amyloidosis.org

Grupo de Apoio
Site na internet: www.paramiloidose.com

 

 
 
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